quarta-feira, outubro 25, 2006

Inclusão - O Jogo, o brinquedo e a brincadeira...

A abrir os já habituais Seminários que no âmbito do seu Mestrado de Sociologia da Infância o Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho leva a efeito desde 2002, Braga recebeu na tarde do pretérito dia 21 de Setembro a visita da Professora Doutora Verônica Muller, docente da Universidade Estadual de Maringá (Brasil), que nos veio falar de "Práticas lúdico-politico-pedagógicas. Um jeito de fazer acontecer esperança".
Sustentada na sua prática com crinças provenientes de contextos adversos, muitas deles de rua, esta investigadora deixou ao vasto auditório que a escutou um requíssimo testemunho do quanto é possivel fazer pela inclusão de crianças desvalidas recorrendo aos jogos, aos brinquedos e às brincadeiras e às imensas transformações que uns e outros podem potenciar nas culturas infantis mais complicadas, ajudando a reverter situações muito críticas de exclusão.
Mais um domínio em que, na verdade, a brincadeira se constitui como coisa muito séria.

domingo, outubro 22, 2006

Escola a Tempo Inteiro - Cuidado com a brincadeira

Por todo o país, com a sensação de que um pouco aos trambolhões, vai ganhando forma a ideia de escola a tempo inteiro, onde a escola curricular se mistura com uma outra feita de actividades chamadas de enriquecimento curricular.
E dizemos mistura porque, pelo que se vê neste arranque turbulento, a ânsia de fazer tudo a correr tem misturado alhos com bugalhos, de tal modo que, não raras vezes, se torna dificil vislumbrar claramente onde começa a escola curricular e acaba o que de mais lhe foi acrescentado agora.
Se não podemos deixar de aqui registar com agrado este esforço titânico para inverter a signa de uma escola primeira desinvestida e desvalorizada ao longo de décadas e reconhecer que a autêntica revolução que está a sofrer vai ao encontro das mais legítimas aspirações da comunidade educativa e é, inquestionavelmente, do maior interesse nacional, também não queremos deixar de lançar, desde já, um olhar preocupado para o incomensurável aumento do tempo de institucionalização que vai sofrer a vida da maioria das crianças, que a par dos tempos gastos nas suas vidas sociais e de provisão pessoal, mais a catequese, mais os escuteitos, mais sei lá o quê, provavelmente, reduzirá o seu tempo de descanso e de sono a níveis nada recomendáveis, para não falar já no demais que começa a ficar irrediavelmente perdido.
Dramaticamento perdido.
Voltaremos ao assunto depois do lançamento agora feito desta incontornável questão.

sábado, outubro 21, 2006

À laia de lançamento

O jogo, os brinquedos e a brincadeira formam uma trilogia inseparável, que através dos tempos tem marcado boa parte do processo desenvolvimental do indivíduo.
Jogar e brincar e uma parte significativa dos instrumentos para tal necessários, tem, ainda hoje, num tempo de mudança vertiginosa, marcas de intemporalidade.
Todavia, o processo de mudança que o mundo do digital e da Internet fez despoletar tem mudado acentuadamente a paisagem que durante séculos pouco se havia alterado.
Indissociável desta realidade, o tempo e as suas temporalidades continuam a ser determinantes e a marcar o sentido e a significância que as coisas por aqui podem assumir.
Fazer uma viagem pelo mundo fantástico do jogo, do brinquedo e das brincadeiras, do imaginário que deles emana de uma forma quantas vezes surpreendente, do seu lado incontornável na e para a formação da criança, da forma como através dos tempos passaram de geração em geração, constitui um objectivo que, apesar de grandioso, estamos a tentar levar a cabo numa empreitada académica de alto risco, mas gostosa e determinadamente assumido, e que queremos conduzir a um bom porto que abrigue o que ambicionamos produzir de novo neste domínio.
Queremos que este blog se constitua como um caderno de apontamentos para onde pretendemos canalizar tudo o que por aí formos apanhando e o que pensam todos quantos se sentem atraídos pelas questões da infância e dentro deste imenso campo de estudo pelo particular e fascinante mundo do jogo, do brinquedo e das brincadeiras e dos seus trajectos intergeracionais e se disponibilizem para uma troca de informação leal e sincera sobre tudo isto.
Como brincavam os nossos bisavós? E os nossos avós? Como eram os brinquedos? Como vinham parar às nossas mãos? Quem nos ensinava a brincar? Como brincaram os nossos filhos e como brincam hoje os nossos netos? Será que sabemos brincar com eles? Será que eles sabem brincar conosco? Será que eles aprendem bem as brincadeiras que lhes ensinamos? Será que nós, mais adultos, aprendemos com facilidade, se é que aprendemos, as brincadeiras com que se ocupam de uma maneira absolutamente absorvente os nossos mais novos?
Eis uma breve luz sobre uma temática aparentemente tão trivial e o lançamento aleatório de uma pequena bateria de questões à espera de respostas de ciência, onde, provavelmente, algumas teorias vacilarão, outras haverá que merecerão reformulação e algumas até ganharão espaço entre as que pelos tempos adiante foram fazendo o seu caminho.